Um poema sobre o Açaí.

Açaí
Em tigela ou cuia,
Toma-se esse suco roxo,
Dele se usa tudo,
Até mesmo o seu caroço.
Bebe com farinha d’água
Feita da mandioca,
Ou misturado e gelado
Com farinha de tapioca.
Pode se chamar juçara,
Ou até mesmo açaizeiro,
Toma-se com açúcar doce,
Ou mesmo sem muito floreio.
Tanto faz, como tanto fez,
Nada diminui esse desejo,
De ser consumida,
Por esse povo belo e guerreiro
Que no mercado de ferro,
O grande Ver-o-Peso,
Expõe seu grande apreço.
Mesmo não se tomando o suco,
Pode também embelezar
Que nas mãos do artesão
Um belo cordão a ornamentar.
Dos teus caroços um belo mosaico
Enfeita o pescoço da bela cabloca
Desse estado, o meu Pará.
Arte aprendida com os índios,
Repassada aos filhos
Através desse belo idílio.
Nas lendas se chama iaçá
Uma planta que não pára de chorar
Em nosso coração,
Sua semente a brotar
Pequenas lágrimas roxas,
Açaí quero te chamar.
Thiago Azevedo
O açaí.
O AÇAÍ
Quero dividir contigo
O açaí que eu tomo aqui
É bem diferente eu te digo do açaí
Que tomas aí
O açaí que eu estou te falando
Não combina
Com essas coisas aí
Nossa mistura é bem simples
E muito mais saborosa
É so colocar açúcar e farinha de mandioca
Pra substituir o feijão Você pode fazer pirão
E comer com carne assada
Peixe ou camarão
O acaí que eu quero contigo dividir
Tem que ser fresquinho
Bem roxinho
De preferência bem geladinho
Pode comer no prato,
Pode tomar na cuia,
Vinho ou pirão
Pode por açúcar ou não.
Faça sorvete ou picolé
Do jeito que você quizer
Mas por favor ,
Não misture mais nada ao meu açaí
O nosso povo censura essa estranha mistura.
Ele por si só se garante
Não precisa complementação
Só quem roeu seus coroços
E com a boca roxa ficou
Sabe por que estou falando
E por que fico estranhando
Essa mistura aí
Por isso eu te convido vem aqui
Tomar do nosso açaí.
Alimentas meus desejos despertos
Suprindo ânsias: de ti de poesia
Por isso a ti oferto meus versos
Quero dizer da tua inegável magia...
Tua cor, ah como atrai
Linda, forte, vibrante
Vinho vivo, cor alegre
AÇAÍ, que cor marcante...
E a textura? Cremosa!
Sumo grosso, consistente!
Sorvo-te, te como, contente
Fruta esperta e formosa...
Teus caroços são lindos
Gostosa tua polpa é
A população nutrindo
De qualquer jeito é bem- vindo!
Aqui no Norte te deliciamos
Com peixe frito, carne-seca
Pirarucu, camarão, degustamos
Farinhas d’água ou tapioca, cá estamos!
Teu sorvete é divino, especial
Lá no Sudeste é só sucesso
Mas bom mesmo é te ter puro
Depois atar a rede, no quintal!
Confesso por ti meu gosto
Aos teus atrativos me entrego
É fruto de mil encantos
Sou louca por ti, não nego!
AÇAÍ fruta imensamente rica
Alimento, sabores e alegrias
Do povo a fome sacias
Quem te toma por aqui fica!
# Um poeta daqui falou: Quem vai ao Pará parou! Tomou açaí, ficou!
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